andei. entrei.  dez passos. subi os degraus. um, dois de cada vez. pressa eu nunca tive para subir, sair correndo. 
choveu tanto por mim quanto por qualquer coisa que também pudesse estar acontecendo. não acreditei nas minhas pernas,
no meu andar. apressado, ligeiro, mas calmo... sim. olhei pra trás. meus passos. marcas. molhados.

Águas de Pensamentos

‎"Perceber é conceber águas de pensamentos. Sou a criatura do que vejo." (O. Blanco)

Ler na pequena placa de bronze o "seu-meu" nome.
Quem está ali? Parte de mim que espera?
Quem está aqui? Parte de você que permanece.

Muito obrigado Seu "Rachid". Meu pai.

\\\\\\\\\\\\\FELIZ DIA DOS PAIS///////////////


CARREGO COMIGO

Carrego comigo

há dezenas de anos

há centenas de anos

o pequeno embrulho.

Serão duas cartas?

será uma flor?

será um retrato?

um lenço talvez?

Já não me recordo

onde o encontrei.

Se foi um presente

ou se foi furtado.

Se os anjos desceram

trazendo-o nas mãos,

se boiava no rio,

se pairava no ar.

Não ouso entreabri-lo.

Que coisa contém,

ou se algo contém,

nunca saberei.

Como poderia

tentar esse gesto?

O embrulho é tão frio

e também tão quente.

Ele arde nas mãos,

é doce ao meu tato,

Pronto me fascina

e me deixa triste.

Guardar em segredo

em si e consigo,

não querer sabê-lo

ou querer demais.

Guardar um segredo

de seus próprios olhos,

por baixo do sono,

atrás da lembrança.

A boca experiente

saúda os amigos.

Mão aperta mão,

peito se dilata.

Vem do mar o apelo,

vêm das coisas gritos.

O mundo chama!

Carlos! Não respondes?

Quero responder.

A rua infinita

vai além do mar.

Quero caminhar.

Mas o embrulho pesa.

Vem a tentação

de jogá-lo ao fundo

da primeira vala.

Ou talvez queimá-lo:

cinzas se dispersam

e não fica sombra

sequer, nem remorso.

Ai, fardo sutil

que antes me carregas

do que és carregado,

para onde me levas?

Por que não dizes

a palavra dura

oculta em teu seio,

carga intolerável?

Seguir-te submisso

por tanto caminho

sem saber de ti

senão que sigo.

Se agora te abrisses

e te revelasses

mesmo em formas de erro,

que alívio seria!

Mas ficas fechado.

Carrego-te à noite

se vou para o baile,

De manhã te levo

Para a escura fábrica

De negro subúrbio.

És, de fato, amigo

Secreto e evidente.

perder-te seria

perder-me a mim próprio.

Sou um homem livre

mas levo uma coisa.

Não sei o que seja.

Eu não a escolhi.

Jamais a fitei.

Mas levo uma coisa.

Não estou vazio

não estou sozinho,

pois anda comigo

algo indescritível.


Carlos Drummond de Andrade

T. S. Elliot

Em meu princípio está meu fim. Umas após as outras
As casas se levantam e tombam, desmoronam, são
[ ampliadas,
Removidas, destruídas, restauradas, ou em seu lugar
Irrompe um campo aberto, uma usina, um atalho.


Mensagem de meu grupo de teatro - eu menos vazio


 Mensagem  para o nosso querido Diretor Helinho.


 Queremos que saiba que sua ajuda foi de grande valia.

Queremos que saiba que pessoas tão especiais como você estão sempre prontas para fortalecer o nosso aprendizado.

Eu procuro olhar dentro dos corações das pessoas, porque sabemos que é de lá que extraímos o que temos de melhor.

Obrigado por sua atenção e pelo carinho dedicado a nós a esses dias de ensaios.

O grande milagre da vida é o teatro quando deixamos que o inesperado aconteça.

Que o Universo te cubra de bênçãos e seja sempre muito feliz.

 Este é o nosso  Muito obrigado!

 Abraços de todos do  elenco.

 


O calendário de 2011 é idêntico ao calendário de 2005. Isso reforça minha lembrança do sábado, 12 de março de 2005. Neste dia observava minha mãe deitada em uma canoa de flores, fazendo a travessia ao outro lado. Depois desse dia não tenho mais medo de pensar no que nos espera quando chegar a hora de fazer esta viagem solitária. Sei QUEM estará lá, me esperando com um sorriso e, enfim, eu poderei dizer... MORRI de saudades.

 

"A morte não é um muro que separa dois lados. Sempre estaremos juntos pelo coração" (frase de minha mãe)



Aparência de convívio

Os homens vivem perto uns dos outros, mas são sós. É uma estranha vizinhança. Como já não amam, tentam prolongar a união – talvez por hábito, talvez por medo, talvez por interesses – sem aquilo que tinha sido a causa da união. Mas o convívio motivado por motivos desse género não pode subsistir. Não tem consistência nem alma. Não consegue passar de aparência de convívio.
(Paulo Geraldo)

de Pedro Almodóvar


Quando te sentires

tão só quanto à hortênsia

que floriu entre murchações

de inverno,

uma ração de humor

há de colocar a alegria em teu colo

qual um gato de estimação.

Se o desânimo jogar

tuas vestes sobre a cama

e os teus sapatos

se entreolharem com desconfiança,

não procures, nos chaveiros,

a saída dos labirintos.

Acaso a melancolia apague

as lâmpadas de teu lustre,

ilumina o palco

de teu quarto

com a pálida luz de teus olhos

e dança um tango

com teus fantasmas.

(Os fantasmas não choram,

mas são exímios

bailarinos).

E amanhã,

quando as mãos estabanadas

do vento

abrirem as cortinas

das nuvens

e um sol escandaloso

se deitar com as donzelas

nas tépidas areias

não te recuses às dádivas

do verão.

Andarilho

pela extensão das praias,

há de ser o teu designo.

Um ínfimo grão de areia

sobrevive a ministros

e malabaristas de esquina.

As flores desmanteladas

que encontras

na encosta das dunas

alcançaram

seu aroma e esplendor

à deusa das águas.

Tua juventude

foi uma oferenda

às ondas do tempo.

O mar empresta

a brancura das espumas

aos teus cabelos.

Mas teus olhos contemplam

as ninfas de glúteos empinados

e umbigos enigmáticos.

Sobre a pele dourada

deslizam gotas de orvalho,

mescla de suor e maresia.

Ah, incandescente beleza!

Tão íntima do olhar

e tão distante de tua vida!..

As mulheres que amaste

riem,abanam, navegam

ao lusco-fusco do entardecer.

São passageiras

do evanescente veleiro

da memória.

Os ventos do rancor

e as brisas da fantasia

se encarregam de desembarcá-las

na Isla de Los Recuerdos.

Bem sabes que a alegria

não chega em cardumes.

E que existem estrelas

em plena luz do dia

se contemplares o sol,

através de uma taça

de champagne.

em meus olhos...

         ....     ....     ..  ....  .... 
...os grãos da areia de Morpheu...
   ...   ... .... .... .... ... .. ............
ardor. poesia. queima dentro. algo está preso. queima o peito... não sai. azia sobe e o pó desce sobre a dor.

amarelo dobrado



Ø. hoje. uma carta. pai e mãe. um livro sem nenhuma anotação. no meio uma folha amarela dobrada sem vida. palavras vivas dobradas no tempo e pra trás da memória amar (elo) guardada. amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor.



Por aqui nada e tudo! Onde mergulho tento medir as profundidades e nadar em águas turvas. Rio e quero um mar!
Oi meu querido! Estou aqui como uma coruja desatenta na madrugada perdida em pensamentos e saudades. Que falta você faz viu! Vontade de ficar em silêncio com você e olhar o céu com muitas estrelas. Ou então de tomar banho de chuva de pés descalços num barro cheiroso. Vontade de sentir sua presença e só.

Vontade de ver você dormindo como uma criança e acordando com seus lindos olhos redondos, vermelhos e assustados com a passagem do trem.

Que triste a trajetória do trem.

Sem opção de escolha ele segue seu mesmo caminho rasgando a vento com seu peito de aço e gritando a todos que existe.
Descobri uma coisa olhando o mar.

As ondas não quebram, elas encurvam.
Te amo! (Hoje com nostalgia)


João sentava-se em sua carteira, assim como os outros trinta alunos que estavam em sua sala de aula. A carteira era pequena para João, não que ele fosse grande, muito pelo contrário, ele era um garoto bem franzino.
A carteira era o limite. João ali se sentia como o seu canarinho, que vivia engaiolado. Ao se mexer, às vezes, derrubava o seu material no chão e quando isso acontecia já sabia que a professora, presa em sua mesa, lhe chamaria a atenção em voz alta, o que fazia a estatura franzina de João diminuir, a ponto de quase sumir sob a carteira.
A carteira limitava João e os outros alunos, a mesa protegia a professora. A carteira era pequena, a mesa era grande. João era só mais um aluno, mas a professora, a professora era a professora, ora! Ela esparramava sobre a sua mesa o material que trazia em sua pasta. Na carteira de João mal cabia o caderno de desenho, os lápis de cor tinham que permanecer dentro do estojo dentro da bolsa.
A aula de Educação Artística era tão esperada quanto à aula de Educação Física. Era à hora de se soltar! Mas como voar preso numa gaiola? Na aula de Educação Física João corria, livre, pois o professor ficava escondido atrás de um jornal à aula toda. Na aula de Educação Artística tinha desenho livre! Mas, só tinha desenho livre.
João já tinha ouvido a professora reclamando: Como dar aula de Artes só com lousa e giz? Mas João não entendia, ele gostava de fazer desenho livre.
João queria ser artista quando crescesse, mas ele era um garoto tímido. Já estava acostumado a ouvir os comentários nas reuniões de pais: "Ele não fala! Parece mudo! Ele deve ter algum problema! Ele é anti-social!"
Mas ele não era mudo, muito pelo contrário falava até demais, os amigos da sua rua sempre reclamavam: "Ele é um tagarela! Não para de falar!"
Na casa de João tinha um corredor, grande, e foi lá que ele teve uma grande idéia: fazer uma apresentação de teatro de bonecos. João nunca havia visto uma apresentação de teatro, muito menos de bonecos, mas isso não o impediu de escrever sua primeira peça, confeccionar os bonecos e atuar. A apresentação foi um sucesso. João sentiu-se realizado com os aplausos dos colegas da sua rua.
E foi então que ele tomou uma decisão: ser ator! Mas não qualquer ator, João queria ser ator de Teatro. E a partir deste dia sua carteira ficou menor, de garoto tímido ele passou a ser rebelde, inquieto. Já não conseguia mais ficar calado e começou a questionar a professora: "Quando teremos aula de teatro?"
A professora, atrás de sua mesa, ficou incomodada, afinal não é importante aprender Teatro, tanta coisa mais importante: pintores, escultores... E atrás de sua mesa ela continuou, mas a insistência de João foi tamanha, que um dia ela chegou e disse: "Montaremos uma peça de Natal!"
João ficou tão feliz com a notícia que queria correr, saltar, gritar, e devido sua explosão a carteira caiu no chão fazendo um enorme estrondo. O pior aconteceu, ele tentou se explicar, se desculpar, mas recebeu um castigo, o pior de todos para João, ele não participaria da peça de Natal.
E durante a montagem da peça João ficava preso em sua gaiola, e a professora sentia-se, novamente, segura em sua mesa.
Para João foi uma tristeza só. Chorou. E escreveu um Auto de Natal, ele nem sabia que era, mas era, e como era triste. Reuniu um grupo de colegas e preparou com todo cuidado, era a primeira vez que João dirigia um grupo de Teatro, algo que ele nem sabia que fazia. A peça foi apresentada na área de sua casa e foi um sucesso que deu gosto.
Estava confirmado: João não queria mais ser ator, João queria ser diretor de Teatro.
Na escola os ensaios continuavam e João continuava só assistindo. E observando ele percebeu que sua professora não via a verdadeira beleza do Teatro, percebeu que ela não tinha nada a dizer com aquela peça, que os alunos pareciam bonecos e faziam o que a professora mandava, ouviu os gritos da professora e o choro dos colegas, indignou-se com a forma que a professora tratava seus alunos, com o descaso que ela tinha com a Arte e João decidiu naquele momento que não queria mais ser diretor de Teatro, ele queria ser professor, professor de Teatro! Queria abrir as gaiolas, arrancar as mesas, queria ensinar, conviver... Queria uma sala de aula onde todos se sentissem a vontade para falar, para pensar, para criar, para voar! Queria uma sala de aula onde todos pudessem sorrir e sonhar, e que todo o sonho pudesse ser realizado!
E o tempo passou e João, já grande, se tornou professor de Teatro e saibam que sua sala de aula é exatamente como ele havia sonhado!



ॐ um objeto perdido. um lugar desconhecido. um dia estive lá. outro dia não o sei mais.



AOS VELHOS TEMPOS PASSADOS
Aos velhos tempo passados, meu amigo,
Pelos bons tempo passados,
Beberemos mais um copo em lembrança
Pelos velhos tempos passados!
Deveríamos esquecer os velhos amigos,
E nunca mais os relembrar?
Deveríamos esquecer os velhos amigos
De muito tempo passado!
Certamente pagarás tua rodada de cerveja
E eu pagarei a minha,
E ainda beberemos à saúde dos amigos
Pelos velhos tempos passados!
Nós dois corremos pelos morros
E colhemos belas margaridas,
Mas depois andamos muitas muitas milhas
Desde os velhos tempos passados.
Nós dois atravessamos os riachos
De manhã cedo até anoitinha,
Mas entre nós se ergueram mares bravios
Desde os velhos tempos passados.
E aqui está minha mão, fiel amigo,
E dá-me também a tua,
E tomaremos um belo trago
Pelos velhos tempos passados!
Pelos velhos tempos passados, meu amigo
Pelos bons tempos passados,
Beberemos mais um copo em lembrança
Pelos velhos tempos passados.

trago o que trago comigo. tragar o cigarro como sorvesse água por um canudo. sêco. a sêca me absorve. racha a pele... uma lembramça molha minha memória. um banho. molhado como todos os outros, não fosse... foss... fossa profunda... sêca. preciso me sentir molhado. uma tempestade se prepara e meus olhos fechados não verão cair. eu caio e... rio. buscando um mar... esperando que chova.

fiozinho correndo pela terra seca, rachada como sorrisos abertos no solo. duro como a lama que resseca. truncado, difícil, fiozinho de lama corre denso e lento.
sobre mim?
sobrevivendo.
uma chuva passageira molhada, um renascimento passageiro. um pouco de água e alegria temporária. cordão d'água cava a terra.
rio.
eu sou rio.
da chuva... poça. a terra lentamente me absorve com sua boca sedenta, sem dentes. não fujo.
se chover melhora. enquanto espero busco força. dois rios juntos não secam tão facilmente, alimentam-se.
preciso me sentir molhado...
quem é esse que caminha ao meu lado?
alimento, pouco, interrompido. minha testemunha de vida e morte. enquanto isso espero que chova...
quem sabe na próxima curva encontre o mar e tome um banho com amigos.
Enquanto isso pingo, pingo, pingo...

Já sabe o que eu sinto de cor, ou vou ter que escrever nos muros, gritar nas ruas, mandar por num outdoor? De tanto não poder dizer meus olhos deram de falar. Só falta você ouvir.

Chuva, chora por mim...

Chove por mim a palavra dita
Chora por mim a despedida
Chove meus pensamentos
Chora meus sentimentos
Chova por meus olhos
Chore a desarrolho
Chuva, por mim
Choraminga
Chove

sh...
s...
...
..
.
.
.



28 quase trinta
27 anos... quase 30. quanto tempo falta para as rugas aparecerem. sulcos que cortam a pele de lado a lado, de cima a baixo. depende... hábitos, excessos, fumaças, alegrias (é alegria faz rir e o riso marca o rosto), banho quente... banho! água! a força das águas sulcam a terra e formam rios, até canyons. "água mole em pedra dura tanto bate até que... " rios tem forma de "s", "t", rios em "v", o rio Sena faz um "Y"... o planeta é grafado pela força das águas. a grafia das águas na terra dura... e no meu rosto?! a água do banho, água quente, passa todos os dias pelos mesmos lugares, às vezes até mais de uma vez por dia, em "s", em "t", até em "y". rugas são resultados da força da água no rosto, e o banho é o maior culpado disso! o banho de chuveiro em especial. como fui descobrir isso somente aos 30?! e agora como que vou viver sem banho?

transmutações. realização. novos espaços. dominação e força. renascimento, criação e destruição... fatalidade
.
ser. estar. não rola. não cabe aqui. não sei ser não estando. mas estou negando saber ser o que sei. fuga do que necessito pra livrar a lama do que dependo... vício comportamental. alavancar atitudes exatas e coerentes com o que digo, auto - digo, em voz alta, pra mim, pra eu escutar... sou surdo. leio lábios, principalmente se os olhos não dizem, leio lábios, principalmente se digo com os olhos... fujo das leituras que possam fazer de meus olhos... segredos, o sagrado de mim pra mim.
infernastral. consilencioso. aglutinação necessábia. transmudar formas conhesílabas. maneiras e padrões de conversas. jeitos de olhar, fragmentindo e recolando tudo (de)novo.

novo. outrês. me volto. olho de lado. persigo a sensação, vago olhar. calo os dentes batentes de frio, mordo língua. briso dedos, textura leve, calante ato, monto a pele, apelo aos dentes cerrados. palavras cortadas, demais por hora, ora, se dará sem atos, meu, o ato repentino de separar os dentes antes de pensar. venho agora cortar palavras, busco conciliar dedos e dentes sem dizer o que não seja pelos primeiros... os dedos.... dizer com os dedos... toques, relevo, bastões sem tinta, giz seco, duro... arranho a partitura. meus sons mais silenciosos berram dentro de meu pequeno espaço, nada virtual, nem tanto real, suspenso entre o meu lado, e minha frente distante... onde os olhos alcançam, onde a ponte se apóia, onde vou chegar que ainda não posso ver, sou novo aqui, sou um, dois... ou três, no máximo o que não conto.

descer. subir. ir... voltar! céu e inferno. altero meu nome pra nada. mudo de humor por causas perdidas... aparente descaso. meu desca(n)so aparente... qualquer descaso, mudança de nomes, humores e vidas... aparto palavras. saio daqui e vou para ali, sinto subir em escada descendente... desco degraus... um, um, dois, três... rolo passadas abaixo... altero. subo nos calcanhares em um pulo, sem qualquer alteração de imagem, inteiro grafado, grafia do nv s´vel... plexo solar... ativar centro de controle... verificação de vírus... varredura e eliminação de objetos estranhos à caixa coronária. invisível... nv s´vel... in i sí el... i visív l... invi íve ...( )... insípido, inodoro, incolor... vontade de sumiço... um acaso... um plim... um vão
subo novamente os degraus e tento chegar ao topo, no fim não vejo nada, mas sinto cheiro de... de... do... que... quero sentir... se voltar a cair, ok, não temo a queda, temo o impacto (desço e subo).
explosão. vazamento. o meio. escapar do meio. máquina cheia e caixa vazia. palavras ao meio, atitude metade, pensamentos longos... cerrada. a boca cerrada e os olhos serrotes... enquanto a nuca é rôta... pés. as rotas que os pés buscam , as trilhas se apagam pelo arrasto que levo... encosto pela estrada e vejo as migalhas. os pães sendo roubados... sou eu mesmo que venho recolhendo as pistas e embalando em papel simples pintado à mão... (des) encosto e traço nova rota... em vão... quebrada pelos planos... escolhas... "esc" olhar. quero (es) colher frutas frescas... pode ser da árvore que encosto... cotovelo rôto pego a orbe... cerro olhos e serro... trinco dentes... penso... meias palavras... guardo meia orbe doce, migalhas de pão na caixa (que achava que estivesse vazia), embrulho com as pinturas e saio do meio, fujo... de mim... não quero mais migalhas.

qualquer. mundo. poderia dizer.

qual é a diferença. dentro

de

uma lembrança

quebrada. deixar tudo desenrolar...

lembrança... sorria como você queria. se deixe levar... tudo está nas
mãos de outros qualquer dentro de você. adeus ao mundo em que achava que
vivia... uma reverência, um coração solitário... viver sozinho... solidão
solitária...

humano como eu sou. abrir mão das minhas, nossas, quaisquer defesas... sorrir e tentar dar significado as coisas... a isso... me deixar levar...

dizer adeus. em qualquer outro mundo... qual é a diferença de cacos no

chão às memórias no travesseiro molhado...

neste

mundo...

despencando

e

desistindo

da

métrica

perfeita...


por hora desisto.


preso. invertido. pelos pés. aparente tranquilidade relativa. tudo cai dos bolsos vazios. sangue inunda mente vazia, vergonha aparente, mentira relativa. disposto e à disposição, indisposto para elevar o tronco, desatar os pés, elevar. criar passagem pra si e os demais... demais, tantos presos pelo tronco... ai do peito... atado ao tronco e sem forças. rolar, se virar e deixar de lado pesadelos... de lado e deformando o eixo

centro. vontade. manter alinhamento. desequelíbrio provoca distanciamento. favorável quando se pode voltar. do contrário desloca deixando tudo fora do lugar. a força centrípeta, mantém tudo preso a mim, tudo o que busco deixar. disparando e modificando as direções, corro sem freio e sentido, mas as correntes... cordas... deixam tudo em minha órbita. a força que vem de dentro, força da vontade... tirar de dentro a boca feroz que devora nossos predicados, alma, ego. vencer à mão e atirar longe do imediato... correr... correntes... curvas... centro... centrípeta... tudo preso, atraído, orbitando... impossível fugir, o jeito é arrastar como os orbes que adotam corpos como seus companheiros de viagem. capaz de admitir tais companhias e as reconhecer, a força da humildade, a força central e inspiradora que deu a menina do arco sentido para... independente do que... vocação, inspiração, fé... como grafo a força... necessidade de concretizar, clarificar... as marcas do arrasto... são grafias da força... como será que tudo isso grafa... na força?
afundar. aprofundar. tornar inalcansável. mais longe possível. muitos mistérios se escondem assim. profundidade obscura, velada, escondidada, trazida por cordas amarelas.

prender. soltar. deixar livre. indiscutivelmente solto sempre. coisas presas não são felizes. se prendo uma imagem na memória, triste fica. triste fico com um ser triste preso em minha cabeça, ser ar, arma. boiando entre as oscilações da idéias, tudo solto, batendo de um lado a outro, como que sem âncora, sem corda, manivela. segurança necessária na alta e baixa das marés de meus temperamentos... tento tudo para obedecer a lua que dita as regras, mas não reconheço o comando ancestral.... fico sem guia, sem repulso, pulso solto. enquanto a pulsação altera com os fluxos de memória, obedecendo a estes como deveriam as outras obedecer a sabedoria lunar, rebeldia... contrariedade impulsionada por idéias antigas e velhas... o pior não é ser antiga, é ser velha... a novidade antiga ainda faz algum sentido, relendo fluências "ondais", p(r)ensamento p(r)eso, pensamentos pesados afundam... (a)prender (a) soltar.
frio. seco. sem controle. sobre meus ombros. correr como quem está caindo. como a névoa para a luz do dia. como durante a noite... parece que eu estou caindo longe da minha vista. frio, bêbado, cansado, perdido, sobre meus ombros, correndo, aquecendo, parecendo que estou caindo, perdendo a direção, frio seco, frio e seco. frio bêbado... aquecer com um trago, uma corrida... buscar a direção perdida... aquecer o frio que trava os ombros... circulação do quente, do sangue quente, sanquente... s'anquente... se aquiete, calma, o frio vai passar. relaxe, existe uma resposta para todos os momentos, claro que não entendemos, a última coisa que passa pela minha cabeça é abandono... acredito que estamos juntos nessa, não grite, existem muitos caminhos a seguir... relaxe, vá devagar, pois não há nada que possamos fazer... ponha a culpa em mim ou em você, esfrie... seque.

luzes. retorno. sinto lampejos. marcar a volta. sem reflexos... horas de incômodo. ainda que não, se volta às primeiras lembranças. é sua vida, é seu querer... olhar zombador das estrelas indiferentes sobre tudo. a testa grafada, neves do tempo pratearam a têmpora... sinto um sopro... o olhar na sombra te procura e te chama. viver... com o alma presa a uma doce recordação que não volta... choro de medo do passado que volta a enfrentar minha vida... tenho medo das noites cheias de recordações que encadeiam meus sonhos. o viajante que foge, cedo ou tarde detém seu andar... e ainda que o esquecimento, que tudo destrói, tenha matado o velho sonho, guardo escondida uma esperança humilde que é toda a sorte de meu coração... volto ao início, sem grafia... sem música... lembrança, saudades... luzes que piscam na noite vazia... sem signo... sem estrelas.
apagar! desligar! tão tarde. cores sem nome. outro rosto na cabeça vazia. uma cidade fantasma na cabeça vazia, sem som.

me. vi. o mar. vir de dentro. vir para dentro de mim. e vi que seu velho amigo andou bem. eu amo a maneira que ele me lança para fora... falta de possibilidade. toda a dor crescerá para fora, e me ouço pronunciar bem palavras velhas... e me ouvi nas coisas que você disse. me embaralhei dentro dos mesmos assuntos, e repito... mesmo vermelho... eu ouvi bem as palavras velhas e de mim se ouviu também as coisas que você disse dentro dos mesmos assuntos que são os mesmos, goodnight. vai ver a cidade que fui ver em torno de você... eu posso rir... se encontrar o nariz para cheirar os olhos nas nuvens... isto é o que eu disse que nunca terminei... eu vi o mar, vi que o seu bom e velho amigo andou à direita... nunca perguntará, e nunca pedirei outra vez.
01.01. decidi pensar. só um pouco. a mente não se cala. mas também não se organiza...

eu. quero. pensar mais. expor meus pensamentos. sonhar durante horas quietas, longas. longos caminhos percorrer antes de sair do lugar. local de aprisionamento sem grades, sem paredes, sem correntes, apenas minha espessa pele. a camada mais grossa exposta ao mundo, à luz... fotofobia... papel exposto à tinta, pronto pra receber qualquer grafia vazia, auto-grafia. me escrevo, sem caligrafia, imprimo e não exprimo... deixo passar a vontade... vazo com o ar, escorro com a água... espremo pra vazar... se exprimo, auto-afirmo, auto-grafo... palavra escrita é palavra impressa. vazio que se preenche... (o resto eu apaguei)





...não quero mais pensar

relevo. alívio. sad news. música para turistas. ouvir isso não me agrada. tentar e refletir... agradáveis coisas dizer ou dormir. correr sozinho... minhas orelhas estão sangrando e minha coragem é valiosa... me trago. posso correr rapidamente , alguém sabe, eu posso... eu estou contente... algum tipo agradável, eu posso correr rapidamente , algo conhece meu poder. eu imagino que vá nevar esta noite, espero que a previsão tenha razão, de manhã eu durmo... só para ver a neve cair durante a noite... de manhã limpo as calçadas, gosto disso. revelar por debaixo da brancura a textura mais silenciosa, agradável sem palavras, silêncio sem grafia, ausência... não ouvir e "despesar"... estancar o sangue e cumprimentar a humildade perdida nas primeiras linhas vale um trago, trazer, parar e procurar os lagos em ponte, muita água dessa neve que derrete... aguardo o primeiro relevo, alívio, boas notícias.

fonte. neve. de perto. vem pra cá. a neve já vai derreter. tudo o que está por debaixo vai aparecer. senta aqui, vem ver como devagarinho tudo muda de cor e virá água. aguá que escorre, lava, purifica, desce rua abaixo como um pequeno riozinho brilhante que brota de todas as coisas antes esquecidas. descalça os tênis, sente que fria e dura é a pureza que toma conta dos ossos... que antes tomou conta de tudo que tinha vida no gelo e agora tem a chance de renascer. transmutação, transcendência, transparência, trânsito que escorre e corre entre os dedos, as pedras, a pele, as cores frias sob as quentes lambidas de um sol que se impõe sobre a alva textura do frio que habitava na região e que agora se mostra como nascente formosa e caprichosa nos servindo de fonte para nossa sede.

identidade. personalidade. onde estão? como sabemos ser? Um dia acordamos e quem? Muito prazer e bem vindo ao meu rosto. se sentir como a terceira pessoa do singular que busca conjugar o presente. mas o que se tem passado dentro das pupilas é pretérito... nada mais é... ele é... só ele, no espelho, é. de lá diz que sou e que tenho segredos que só ele sabe... promete não contar... os conta a mim... contou... e a promessa falhou, vazou... escorreu junto com a água do rosto... vazou. lá, atrás da fumaça que esconde o rosto, pupilas... atrás da identidade, autógrafo... auto grafia... grafo a mim com expressões... confundindo a personalidade... procurando as marcas que grafei ontem... para saber ser... acordar agora... fugir do estranho que me persegue... acordar...verbo transitivo ou intransitivo? espero que nenhum... nem outros... espero ser definitivo... ser.

fogo. teoria. tudo queima. eu já queimei. tudo aquilo que queima desaparece. certo... mais ou menos... mas, ao menos cinzas, queimaduras... ficam. tudo deixa um pouco. um resto. sobras. marcas registradas de algo. grafadas. escritas com calor. com brasas. com fogo. sem ferro. das cinzas só um bom vento para espalhar os restos. das queimadoras um bom sopro pra abrandar a dor. do calor... água fria. á guafria. a grafia. à grafia... bons olhos. dizem que o calor deixa rugas porque desidrata. o riso deixa rugas mesmo irrigando. irriga tanto que deixa as faces rubras e quentes. mortos não sorriem... senão ressucitariam. fantasmas riem... zombam... fantasmas assombram. assopram as faces rubras. de vergonha. que também irriga. faces irrigadas desidratam. suor. pelas costas. suor. costas molhadas. atiradas ao rio. mãos que aram as costas irrigadas. faces quentes. fogo. teoria. teo ria. teo(deus) ria. e deus ria de tudo que via. grafando sua face com as marcas do riso. queimando tudo com o calor de seu... fogo. teoria.

aposta. desafio. obstáculo adiante. sempre é assim. quando há desafios há dificuldades. barreiras, paredes invisíveis e intransponíveis sem bons certeiros. não perder o foco, as passadas firmes, capazes de fazer as traves recuarem. opções ao não frear: dar de peito no firme ou buscar ponte com outra barreira, um pouco mais distante... ou não. apostar na queda como uma aliada para o próximo impulso... propor desafios ao ar que abre passagem ao corpo que cede... próximo obstáculo, o meu chão... nunca passo daqui... da queda... falta a noite. a noite se fará quando fechar meus olhos....sentir meu chão.... buscar outra ponte como um cego... ce go... c... ego... sem ego... se buracos... pulo... se barreiras... empurro... se caio... se água... molho... mergulho... do próximo impulso um salto... até a ponte... firmo dedos, piso firme, faço foco, beira ponte... de costas... mergulho.

pulso. pulso. pulsação ocular. ritmo das pálpebras. fica registrado entre a visão. no caminho do olho deixo marcado passos inseguros. passadas marcadas pelo ritmo das pálpebras inquietas que não suportam luz do sol. pisar na ponte que leva ao extremo, oscilante inseguro, das cordas que sustentam meu olhar pesado e apoiado em braços finos. braços que seguram o escudo de proteção... ocultando minha pulsação estranha... velando minha fragilidade à luz que transborda sobre o outro lado do abismo, sobre o qual a ponte balança... oscila... vertiginosamente me enjoando. atravesso e me atravesso entre os apoios... se atravesso mergulho... se caio mergulho no abismo... se chego mergulho os olhos sem escudos, passagem livre... entre um abrir e fechar de portas... entro... a pulsação ocular continua, ansiosa, desequilibrada, desritmada... ignoro... descalço, despido e molhado de suor ou neblina da noite que caiu... eu não caí.