A . G R A F I A . D O . V A Z I O . . .
p (r) e n s a m e n t o p r e s o l t o
Águas de Pensamentos
Ler na pequena placa de bronze o "seu-meu" nome.
Quem está ali? Parte de mim que espera?
Quem está aqui? Parte de você que permanece.
Muito obrigado Seu "Rachid". Meu pai.
\\\\\\\\\\\\\FELIZ DIA DOS PAIS///////////////
CARREGO COMIGO
Carrego comigo
há dezenas de anos
há centenas de anos
o pequeno embrulho.
Serão duas cartas?
será uma flor?
será um retrato?
um lenço talvez?
Já não me recordo
onde o encontrei.
Se foi um presente
ou se foi furtado.
Se os anjos desceram
trazendo-o nas mãos,
se boiava no rio,
se pairava no ar.
Não ouso entreabri-lo.
Que coisa contém,
ou se algo contém,
nunca saberei.
Como poderia
tentar esse gesto?
O embrulho é tão frio
e também tão quente.
Ele arde nas mãos,
é doce ao meu tato,
Pronto me fascina
e me deixa triste.
Guardar em segredo
em si e consigo,
não querer sabê-lo
ou querer demais.
Guardar um segredo
de seus próprios olhos,
por baixo do sono,
atrás da lembrança.
A boca experiente
saúda os amigos.
Mão aperta mão,
peito se dilata.
Vem do mar o apelo,
vêm das coisas gritos.
O mundo chama!
Carlos! Não respondes?
Quero responder.
A rua infinita
vai além do mar.
Quero caminhar.
Mas o embrulho pesa.
Vem a tentação
de jogá-lo ao fundo
da primeira vala.
Ou talvez queimá-lo:
cinzas se dispersam
e não fica sombra
sequer, nem remorso.
Ai, fardo sutil
que antes me carregas
do que és carregado,
para onde me levas?
Por que não dizes
a palavra dura
oculta em teu seio,
carga intolerável?
Seguir-te submisso
por tanto caminho
sem saber de ti
senão que sigo.
Se agora te abrisses
e te revelasses
mesmo em formas de erro,
que alívio seria!
Mas ficas fechado.
Carrego-te à noite
se vou para o baile,
De manhã te levo
Para a escura fábrica
De negro subúrbio.
És, de fato, amigo
Secreto e evidente.
perder-te seria
perder-me a mim próprio.
Sou um homem livre
mas levo uma coisa.
Não sei o que seja.
Eu não a escolhi.
Jamais a fitei.
Mas levo uma coisa.
Não estou vazio
não estou sozinho,
pois anda comigo
T. S. Elliot
As casas se levantam e tombam, desmoronam, são
[ ampliadas,
Removidas, destruídas, restauradas, ou em seu lugar
Irrompe um campo aberto, uma usina, um atalho.
Mensagem de meu grupo de teatro - eu menos vazio
Mensagem para o nosso querido Diretor Helinho.
Queremos que saiba que sua ajuda foi de grande valia.
Queremos que saiba que pessoas tão especiais como você estão sempre prontas para fortalecer o nosso aprendizado.
Eu procuro olhar dentro dos corações das pessoas, porque sabemos que é de lá que extraímos o que temos de melhor.
Obrigado por sua atenção e pelo carinho dedicado a nós a esses dias de ensaios.
O grande milagre da vida é o teatro quando deixamos que o inesperado aconteça.
Que o Universo te cubra de bênçãos e seja sempre muito feliz.
Este é o nosso Muito obrigado!
Abraços de todos do elenco.
O calendário de 2011 é idêntico ao calendário de 2005. Isso reforça minha lembrança do sábado, 12 de março de 2005. Neste dia observava minha mãe deitada em uma canoa de flores, fazendo a travessia ao outro lado. Depois desse dia não tenho mais medo de pensar no que nos espera quando chegar a hora de fazer esta viagem solitária. Sei QUEM estará lá, me esperando com um sorriso e, enfim, eu poderei dizer... MORRI de saudades.
"A morte não é um muro que separa dois lados. Sempre estaremos juntos pelo coração" (frase de minha mãe)
Aparência de convívio
(Paulo Geraldo)
de Pedro Almodóvar
Quando te sentires
tão só quanto à hortênsia
que floriu entre murchações
de inverno,
uma ração de humor
há de colocar a alegria em teu colo
qual um gato de estimação.
Se o desânimo jogar
tuas vestes sobre a cama
e os teus sapatos
se entreolharem com desconfiança,
não procures, nos chaveiros,
a saída dos labirintos.
Acaso a melancolia apague
as lâmpadas de teu lustre,
ilumina o palco
de teu quarto
com a pálida luz de teus olhos
e dança um tango
com teus fantasmas.
(Os fantasmas não choram,
mas são exímios
bailarinos).
E amanhã,
quando as mãos estabanadas
do vento
abrirem as cortinas
das nuvens
e um sol escandaloso
se deitar com as donzelas
nas tépidas areias
não te recuses às dádivas
do verão.
Andarilho
pela extensão das praias,
há de ser o teu designo.
Um ínfimo grão de areia
sobrevive a ministros
e malabaristas de esquina.
As flores desmanteladas
que encontras
na encosta das dunas
alcançaram
seu aroma e esplendor
à deusa das águas.
Tua juventude
foi uma oferenda
às ondas do tempo.
O mar empresta
a brancura das espumas
aos teus cabelos.
Mas teus olhos contemplam
as ninfas de glúteos empinados
e umbigos enigmáticos.
Sobre a pele dourada
deslizam gotas de orvalho,
mescla de suor e maresia.
Ah, incandescente beleza!
Tão íntima do olhar
e tão distante de tua vida!..
As mulheres que amaste
riem,abanam, navegam
ao lusco-fusco do entardecer.
São passageiras
do evanescente veleiro
da memória.
Os ventos do rancor
e as brisas da fantasia
se encarregam de desembarcá-las
na Isla de Los Recuerdos.
Bem sabes que a alegria
não chega em cardumes.
E que existem estrelas
em plena luz do dia
se contemplares o sol,
através de uma taça
de champagne.
em meus olhos...
amarelo dobrado
Ø. hoje. uma carta. pai e mãe. um livro sem nenhuma anotação. no meio uma folha amarela dobrada sem vida. palavras vivas dobradas no tempo e pra trás da memória amar (elo) guardada. amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor amor.
A carteira era o limite. João ali se sentia como o seu canarinho, que vivia engaiolado. Ao se mexer, às vezes, derrubava o seu material no chão e quando isso acontecia já sabia que a professora, presa em sua mesa, lhe chamaria a atenção em voz alta, o que fazia a estatura franzina de João diminuir, a ponto de quase sumir sob a carteira.
A carteira limitava João e os outros alunos, a mesa protegia a professora. A carteira era pequena, a mesa era grande. João era só mais um aluno, mas a professora, a professora era a professora, ora! Ela esparramava sobre a sua mesa o material que trazia em sua pasta. Na carteira de João mal cabia o caderno de desenho, os lápis de cor tinham que permanecer dentro do estojo dentro da bolsa.
A aula de Educação Artística era tão esperada quanto à aula de Educação Física. Era à hora de se soltar! Mas como voar preso numa gaiola? Na aula de Educação Física João corria, livre, pois o professor ficava escondido atrás de um jornal à aula toda. Na aula de Educação Artística tinha desenho livre! Mas, só tinha desenho livre.
João já tinha ouvido a professora reclamando: Como dar aula de Artes só com lousa e giz? Mas João não entendia, ele gostava de fazer desenho livre.
João queria ser artista quando crescesse, mas ele era um garoto tímido. Já estava acostumado a ouvir os comentários nas reuniões de pais: "Ele não fala! Parece mudo! Ele deve ter algum problema! Ele é anti-social!"
Mas ele não era mudo, muito pelo contrário falava até demais, os amigos da sua rua sempre reclamavam: "Ele é um tagarela! Não para de falar!"
Na casa de João tinha um corredor, grande, e foi lá que ele teve uma grande idéia: fazer uma apresentação de teatro de bonecos. João nunca havia visto uma apresentação de teatro, muito menos de bonecos, mas isso não o impediu de escrever sua primeira peça, confeccionar os bonecos e atuar. A apresentação foi um sucesso. João sentiu-se realizado com os aplausos dos colegas da sua rua.
E foi então que ele tomou uma decisão: ser ator! Mas não qualquer ator, João queria ser ator de Teatro. E a partir deste dia sua carteira ficou menor, de garoto tímido ele passou a ser rebelde, inquieto. Já não conseguia mais ficar calado e começou a questionar a professora: "Quando teremos aula de teatro?"
A professora, atrás de sua mesa, ficou incomodada, afinal não é importante aprender Teatro, tanta coisa mais importante: pintores, escultores... E atrás de sua mesa ela continuou, mas a insistência de João foi tamanha, que um dia ela chegou e disse: "Montaremos uma peça de Natal!"
João ficou tão feliz com a notícia que queria correr, saltar, gritar, e devido sua explosão a carteira caiu no chão fazendo um enorme estrondo. O pior aconteceu, ele tentou se explicar, se desculpar, mas recebeu um castigo, o pior de todos para João, ele não participaria da peça de Natal.
E durante a montagem da peça João ficava preso em sua gaiola, e a professora sentia-se, novamente, segura em sua mesa.
Para João foi uma tristeza só. Chorou. E escreveu um Auto de Natal, ele nem sabia que era, mas era, e como era triste. Reuniu um grupo de colegas e preparou com todo cuidado, era a primeira vez que João dirigia um grupo de Teatro, algo que ele nem sabia que fazia. A peça foi apresentada na área de sua casa e foi um sucesso que deu gosto.
Estava confirmado: João não queria mais ser ator, João queria ser diretor de Teatro.
Na escola os ensaios continuavam e João continuava só assistindo. E observando ele percebeu que sua professora não via a verdadeira beleza do Teatro, percebeu que ela não tinha nada a dizer com aquela peça, que os alunos pareciam bonecos e faziam o que a professora mandava, ouviu os gritos da professora e o choro dos colegas, indignou-se com a forma que a professora tratava seus alunos, com o descaso que ela tinha com a Arte e João decidiu naquele momento que não queria mais ser diretor de Teatro, ele queria ser professor, professor de Teatro! Queria abrir as gaiolas, arrancar as mesas, queria ensinar, conviver... Queria uma sala de aula onde todos se sentissem a vontade para falar, para pensar, para criar, para voar! Queria uma sala de aula onde todos pudessem sorrir e sonhar, e que todo o sonho pudesse ser realizado!
E o tempo passou e João, já grande, se tornou professor de Teatro e saibam que sua sala de aula é exatamente como ele havia sonhado!
AOS VELHOS TEMPOS PASSADOS
Aos velhos tempo passados, meu amigo,
Pelos bons tempo passados,
Beberemos mais um copo em lembrança
Pelos velhos tempos passados!
Deveríamos esquecer os velhos amigos,
E nunca mais os relembrar?
Deveríamos esquecer os velhos amigos
De muito tempo passado!
Certamente pagarás tua rodada de cerveja
E eu pagarei a minha,
E ainda beberemos à saúde dos amigos
Pelos velhos tempos passados!
Nós dois corremos pelos morros
E colhemos belas margaridas,
Mas depois andamos muitas muitas milhas
Desde os velhos tempos passados.
Nós dois atravessamos os riachos
De manhã cedo até anoitinha,
Mas entre nós se ergueram mares bravios
Desde os velhos tempos passados.
E aqui está minha mão, fiel amigo,
E dá-me também a tua,
E tomaremos um belo trago
Pelos velhos tempos passados!
Pelos velhos tempos passados, meu amigo
Pelos bons tempos passados,
Beberemos mais um copo em lembrança
Pelos velhos tempos passados.
sobre mim?
sobrevivendo.
uma chuva passageira molhada, um renascimento passageiro. um pouco de água e alegria temporária. cordão d'água cava a terra.
rio.
eu sou rio.
da chuva... poça. a terra lentamente me absorve com sua boca sedenta, sem dentes. não fujo.
se chover melhora. enquanto espero busco força. dois rios juntos não secam tão facilmente, alimentam-se.
preciso me sentir molhado...
quem é esse que caminha ao meu lado?
alimento, pouco, interrompido. minha testemunha de vida e morte. enquanto isso espero que chova...
quem sabe na próxima curva encontre o mar e tome um banho com amigos.
Enquanto isso pingo, pingo, pingo...

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qual é a diferença. dentro
uma lembrança
lembrança... sorria como você queria. se deixe levar... tudo está nas
mãos de outros qualquer dentro de você. adeus ao mundo em que achava que
vivia... uma reverência, um coração solitário... viver sozinho... solidão
solitária...
dizer adeus. em qualquer outro mundo... qual é a diferença de cacos no
neste
despencando
desistindo
métrica


frio. seco. sem controle. sobre meus ombros. correr como quem está caindo. como a névoa para a luz do dia. como durante a noite... parece que eu estou caindo longe da minha vista. frio, bêbado, cansado, perdido, sobre meus ombros, correndo, aquecendo, parecendo que estou caindo, perdendo a direção, frio seco, frio e seco. frio bêbado... aquecer com um trago, uma corrida... buscar a direção perdida... aquecer o frio que trava os ombros... circulação do quente, do sangue quente, sanquente... s'anquente... se aquiete, calma, o frio vai passar. relaxe, existe uma resposta para todos os momentos, claro que não entendemos, a última coisa que passa pela minha cabeça é abandono... acredito que estamos juntos nessa, não grite, existem muitos caminhos a seguir... relaxe, vá devagar, pois não há nada que possamos fazer... ponha a culpa em mim ou em você, esfrie... seque.


...não quero mais pensar





